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Nana Caymmi

MPB

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foto de Nana Caymmi

Nana Caymmi, nome artístico de Dinair Tostes Caymmi (Rio de Janeiro, 29 de abril de 1941), é uma cantora brasileira. Em 1960, registrou sua primeira atuação em estúdio, participando da faixa "Acalanto" (Dorival Caymmi), no LP de seu pai, que compôs a canção em sua homenagem, quando a cantora era ainda criança. Lançou, também, seu primeiro disco solo, um 78 rpm, contendo as músicas "Adeus" (Dorival Caymmi) e "Nossos beijos" (Hianto de Almeida e Macedo Norte). No dia 26 de abril desse mesmo ano, assinou contrato com a TV Tupi, apresentando-se no programa "Sucessos Musicais", produzido por Fernando Confalonieri. Em seguida, passou a apresentar, acompanhada pelo irmão Dori, o programa "A Canção de Nana", produzido por Eduardo Sidney. Em 1961, casou-se com o médico Gilberto José Aponte Paoli e mudou-se para a Venezuela. Nesse país, nasceram suas filhas Stella Teresa, em 1962, e Denise Maria, em 1963. Gravou, nesse ano, seu primeiro LP, "Nana", com arranjos de Oscar Castro Neves. Em 1964, participou do disco "Caymmi visita Tom e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo", ao lado do pai e dos irmãos. No ano seguinte, separou-se do marido e voltou grávida para o Brasil, com suas filhas pequenas. Em 1966, nasceu seu filho, João Gilberto. Nesse mesmo ano, venceu o I Festival Internacional da Canção (TV Globo), interpretando a canção "Saveiros" (Dori Caymmi e Nelson Motta). Apresentou-se no programa "Ensaio Geral" (TV Excelsior), ao lado de artistas como Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tuca, Toquinho e Maria Bethânia, entre outros. Ainda nesse ano, assinou contrato com a TV Record, de São Paulo, e casou-se com o cantor e compositor Gilberto Gil, com quem compôs "Bom dia", canção apresentada pelos autores no III Festival de Música Brasileira (TV Record), em 1967. No ano seguinte, terminou seu contrato com a TV Record. Estreou, no Rio de Janeiro, o show "Barroco" e separou-se de Gilberto Gil. Em 1969, foi citada por Carlos Drummond de Andrade no poema "A festa (Recapitulação)", publicado na edição do dia 23 de fevereiro do jornal "Correio da Manhã". Em 1970, fez uma temporada de shows com Dori Caymmi em Punta del Este (Uruguai). Participou do espetáculo "Mustang Cor de Sangue", com Marcos Valle, Paulo Sérgio Valle e o conjunto Apolo 3, realizado no Teatro Castro Alves (Salvador) e no Teatro de Bolso (RJ). No ano seguinte, cantou "Morena do mar" (Dorival Caymmi), na II Bienal do Samba (TV Record). Voltou a Punta del Este, para novas temporadas, em 1971 e em 1972, nesse último ano ao lado de Dori Caymmi, no Café del Puerto. Em 1973, apresentou-se com sucesso em Buenos Aires (Argentina). No ano seguinte, realizou um show, com o conjunto argentino Camerata, no Camerata Café Concert, em Punta Del Este (Uruguai). Lançou na Argentina, pela gravadora Trova, ainda em 1974, o LP "Nana Caymmi", que vendeu 20 mil cópias. O disco, divulgado Rádio Jornal do Brasil por Simon Khoury, chamou a atenção das gravadoras brasileiras. No ano seguinte, acompanhada pela Camerata, foi recebida pela mídia como Grande Show Woman, em sua temporada anual na Argentina. Após um jejum de oito anos no mercado fonográfico brasileiro, lançou, em 18 de junho de 1975, na Sala Corpo e Som, do Museu de Arte Moderna (RJ), o LP "Nana Caymmi" (CID). O disco alcançou o 77º lugar no Hit Parade Carioca, uma semana após o lançamento. Fez, ainda, uma temporada, no mês de julho, na boate Igrejinha (SP), sendo citada por Tárik de Souza, no "Jornal do Brasil", como a "Nina Simone brasileira" e provocando a admiração de Caetano Veloso, que considerou sua interpretação de "Medo de amar" (Vinícius de Moraes) uma das mais expressivas da música brasileira. No dia 22 de outubro de 1976, foi contemplada com o Troféu Villa-Lobos de Melhor Cantora do Ano, oferecido pela Associação Brasileira de Produtores de Discos. Participou da trilha sonora de "Maria Maria", espetáculo do Balé Corpo, com músicas de Milton Nascimento e Fernando Brant e coreografia de Oscar Ajaz. Apresentou-se, ao lado de Ivan Lins, no Teatro João Caetano (RJ), pelo projeto "Seis e Meia". Ainda em 1976, lançou o LP "Renascer", com show no Teatro Opinião". A canção "Beijo partido" (Toninho Horta), na voz da cantora, foi incluída na trilha sonora da novela "Pecado Capital" (TV Globo). Em 1977, gravou novo LP, pela RCA-Victor. O disco contou com a participação de Dorival Caymmi na faixa "Milagre", canção inédita do compositor, e teve show de lançamento no Teatro Ipanema (RJ). Ainda nesse ano, a gravadora CID lançou no mercado brasileiro o disco "Nana Caymmi", gravado na Argentina em 1974, com o título "Atrás da porta". Inaugurou, ao lado de Ivan Lins, o "Projeto Pixinguinha" (Funarte). Em 1978, apresentou-se com Dori Caymmi pelo "Projeto Pixinguinha". O show, dirigido por Arthur Laranjeiras, estreou no Teatro Dulcina (RJ) e prosseguiu em Vitória, Salvador, Maceió e Recife. Ainda nesse ano, lançou, pela Odeon, o LP "Nana Caymmi", contendo a faixa "Cais" (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), incluída na trilha sonora da novela "Sinal de Alerta" (TV Globo). Em 1979, apresentou-se, com Edu Lobo e o conjunto Boca Livre, no Teatro do Hotel Nacional e no Canecão, no Rio de Janeiro. Nesse mesmo ano, casou-se com o cantor e compositor Claudio Nucci. Em 1980, comandou "Nana Caymmi e seus amigos muito especiais", série de shows apresentados às segundas-feiras, no Teatro Villa-Lobos, com a participação de Isaurinha Garcia, Rosinha de Valença, Cláudio Nucci, Zezé Mota, Zé Luiz, Fátima Guedes, Sueli Costa, Jards Macalé e Claudio Cartier, entre outros. Fez temporada no Chico’s Bar, anexo do Castelo da Lagoa (RJ) e realizou espetáculo de lançamento do disco "Mudança dos ventos" (Odeon), viajando em turnê de shows pelo país. Participou, ao lado do Boca Livre, do "Projeto Pixinguinha". Em 1981, "Canção da manhã feliz" (Haroldo Barbosa e Luiz Reis), na voz da cantora, foi incluída na trilha sonora da novela "Brilhante" (TV Globo). Seu espetáculo, na Sala Funarte, foi apontado pelo "Jornal do Brasil" como um dos dez melhores do ano. Em 1982, apresentou-se em Algarve (Portugal). Realizou uma participação na novela "Champagne" (TV Globo), representando a si mesma e cantando "Doce presença" (Ivan Lins e Victor Martins), ao lado do pianista Edson Frederico. A canção foi incluída na trilha sonora da novela. No ano seguinte, gravou, com César Camargo Mariano, o LP "Voz e suor" (Odeon). Apresentou-se, ao lado do pianista, no 150 Night Club (SP), para lançamento do disco. Em 1984, separou-se de Claudio Nucci. Participou do Festival de Nice (França), com Dorival Caymmi e Gilberto Gil, entre outros. No ano seguinte, sua gravação de "Flor da Bahia" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro) foi incluída na trilha sonora de da minissérie "Tenda dos Milagres" (TV Globo), baseada no romance homônimo de Jorge Amado. No final de 1986, em comemoração ao centenário de nascimento de Villa-Lobos, iniciou uma série de shows pelo país, que teve continuidade no ano seguinte, interpretando obras do compositor, ao lado de Wagner Tiso e do grupo Uakti. Em 1987, fez temporada de shows em Madri (Espanha). Lançou o disco "Nana", contando com a participação de seu filho, João Gilberto, na faixa "A lua e eu" (Cassiano e Paulo Zdanowski). No dia 3 de outubro desse mesmo ano, nasceu sua primeira neta, Marina, filha de Denise e Carlos Henrique de Meneses Silva. Em 1988, fez show de lançamento do disco "Nana", no L’Onoràbile Società (SP) e no People Jazz (RJ), seguindo em turnê pelo país. Em 1989, participou da coletânea "Há sempre um nome de mulher", LP duplo produzido por Ricardo Cravo Albin para a campanha do aleitamento materno, do Banco do Brasil, cantando as músicas "Dora" e "Rosa morena", ambas de Dorival Caymmi. Nesse mesmo ano, ao lado de Wagner Tiso, excursionou por várias cidades da Espanha e participou do Festival Internacional de Jazz de Montreux (Suíça). A apresentação foi gravada ao vivo, gerando o LP "Só louco", lançado, no mesmo ano, pela EMI-Odeon. No dia 16 de dezembro, seu filho, João Gilberto, sofreu, no Rio de Janeiro, um grave acidente de motocicleta. A cantora passou o ano de 1990 dedicando-se exclusivamente ao filho acidentado. Em 1991, voltou ao cenário artístico, participando, ao lado do irmão Danilo, de espetáculo realizado no Rio Show Festival (RJ), que reuniu Dorival Caymmi e Tom Jobim. Participou, com Dorival e Danilo Caymmi, do XXV Festival Internacional de Jazz de Montreux. O show foi gravado ao vivo e gerou o disco "Família Caymmi em Montreux", lançado no Brasil, no ano seguinte, pela PolyGram. Em 1992, participou, no Rio Centro (RJ), da segunda edição do "Rio Show Festival", ao lado de Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Fagner. Lançou, pela Sony Music, o disco "O melhor da música brasileira", apresentando-se em temporada de shows na casa noturna Jazzmania (RJ). No dia 24 de abril desse mesmo ano, nasceu Carolina, sua segunda neta, filha de Denise e Carlos Henrique de Meneses Silva. Participou do "SP Festival", realizado no Anhembi (SP), ao lado de Dorival Caymmi, Danilo Caymmi e Gilberto Gil. Em 1993, viajou a Portugal, para temporada de shows em Lisboa e no Porto, ao lado de Dorival e Danilo Caymmi. Gravou o disco "Bolero" (EMI), apresentando-se em longa temporada de shows no People Jazz (RJ) e seguindo em turnê pelo país. Esteve, também, em Nova York, onde se apresentou no Blue Note, em show que contou com a participação de Danilo Caymmi. Em 1994, lançou o CD "A noite do meu bem - As canções de Dolores Duran" (EMI), que contou com a participação de sua filha Denise Caymmi na faixa "Castigo". Fez show de lançamento do disco no Canecão, em seu primeiro espetáculo solo nessa casa, seguindo em turnê pelo país. Em 1996, apresentou-se no Teatro Castro Alves (Salvador), ao lado de Daniela Mercury, do pai Dorival e dos irmãos Dori e Danilo, em dois espetáculos comemorativos dos 50 anos das empresas Odebrecht. Lançou, nesse mesmo ano, o disco "Alma serena" (EMI), no Canecão (RJ) e no Palace (SP), seguindo em turnê pelo país. Viajou, em seguida, para os Estados Unidos, onde se apresentou em Los Angeles e Nova York, ao lado de Dori Caymmi. Em 1997, gravou, no Teatro Rival (RJ), seu primeiro disco solo ao vivo, "No coração do Rio" (EMI), seguindo em turnê pelo país. Em 1998, lançou o CD "Resposta ao tempo" (EMI), contendo a canção homônima (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc), escolhida como tema musical de abertura da minissérie "Hilda Furacão" (TV Globo). A música obteve bastante destaque, tendo sido muito executada nas rádios, nesse ano. Apresentou-se, novamente, no Canecão, em show de lançamento do disco, viajando, em seguida, em turnê pelo país. Em 1999, foi contemplada com o primeiro Disco de Ouro de sua carreira, pelas cem mil cópias vendidas do CD "Resposta ao Tempo" (EMI), seguindo-se o convite da TV Globo para cantar "Suave veneno" (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc), canção escolhida como tema da novela homônima. Lançou a coletânea "Nana Caymmi - Os maiores sucessos de novela" (EMI). Participou, ainda, do songbook de Chico Buarque (Lumiar Discos), interpretando a faixa "Olhos nos olhos". Em 2000, comemorando 40 anos de carreira em disco, lançou o CD "Sangre de mi alma" (EMI), cantando em espanhol uma seleção de boleros, como "Acércate más" (Osvaldo Farrés) e "Solamente una vez" (Agustin Lara), entre outros, com arranjos de Dori Caymmi e Cristóvão Bastos. Em 2001, gravou o CD "Desejo", produzido por José Milton, com a participação de Zeca Pagodinho, em dueto com a cantora em "Vou ver Juliana" (Dorival Caymmi), Ivan Lins, ao piano na faixa "Só prazer" (Ivan Lins e Celso Viáfora) e sua sobrinha Alice, filha de Danilo Caymmi, em dueto com a tia na música "Seus olhos", de autoria da irmã, Juliana Caymmi. O disco registrou, com arranjos de Cristóvão Bastos, Dori Caymmi, Lincoln Olivetti e Paulão 7 Cordas, as canções "Saudade de amar" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro), "Frases do silêncio" (Marcos Valle e Erasmo Carlos), "Fogueiras" (Ivan Lins e Vitor Martins), "Lero do bolero" (Kiko Furtado e Abel Silva), "Vinho guardado" (Danilo Caymmi e Paulinho Tapajós), "Desejo" (Fátima Guedes), "Naquela noite" (Claudio Cartier e Guto Marques), "Fumaça das horas" (Sueli Costa e Fausto Nilo), "Esse vazio" (Cristóvão Bastos e Dudu Falcão), "Marca da Paixão" (Marcio Proença e Marco Aurélio) e "Distância" (Dudu Falcão). Realizou show de lançamento do disco no Canecão (RJ), apresentando, além do repertório do CD, sucessos de sua carreira, como "Saudade de amar", da trilha sonora da novela "Porto dos Milagres" (TV Globo) e Resposta ao tempo (Cristóvão Bastos e Aldir Blanc), acompanhada de uma banda formada por Cristóvão Bastos (piano), Itamar Assiere (teclados), Ricardo Silveira (guitarra), Jorjão (baixo), Ricardo Pontes (sax e flauta), Ricardo Costa (bateria) e Don Chacal (percussão). Em 2002, lançou o CD "O mar e o tempo", contendo exclusivamente obras de Dorival Caymmi, como "Saudade da Bahia" e "O bem do mar", entre outras, além da inédita "Desde ontém". O disco contou com a participação de seus irmãos Dori e Danilo, além de sua mãe, Stella, das netas e das sobrinhas. Em 2003, foi lançado o songbook "O melhor de Nana Caymmi" (Editora Irmãos Vitale), produzido por Luciano Alves, contendo letras, cifras e partituras do repertório da cantora, além de um perfil biográfico assinado por sua filha, Stela Caymmi. Em 2004, em comemoração ao 90º aniversário do pai, lançou, com os irmãos Dori e Danilo, o CD "Para Caymmi, de Nana, Dori e Danilo", contendo exclusivamente canções de Dorival Caymmi: "Acontece que eu sou baiano", "Severo do pão/O samba da minha terra", "Vatapá", "Você já foi à Bahia?", "Requebre que eu dou um doce/Um vestido de bolero", "Lá vem a baiana", "A vizinha do lado/Eu cheguei lá", "O que é que a baiana tem?", "Dois de fevereiro/Trezentos e sessenta e cinco igrejas", "Saudade da Bahia", "O dengo que a nega tem", "São Salvador", "Eu não tenho onde morar/Maracangalha" e "Milagre". Os arranjos do disco foram assinados por Dori Caymmi. Em 2005, lançou, ao lado de Nana Caymmi, Danilo Caymmi, Paulo Jobim e Daniel Jobim, o CD "Falando de amor", sobre a obra de Tom Jobim. Os músicos Jorge Hélder (baixo) e Paulinho Braga (bateria) participaram das gravações. xxxxxxxxxxxxxxxxxxx >AS CANÇÕES DE NANA< Antes mesmo de entoar uma canção, Nana Caymmi, ainda bebê, inspirou uma das mais belas canções de ninar da música popular. "Acalanto", composta por seu pai, Dorival Caymmi (um dos grandes compositores da nossa música, junto com Noel Rosa, Ari Barroso, Luis Gonzaga, Tom Jobim e outros), embalou a menina no berço e gerações de brasileiros. Acalanto, por si só, já foi uma semeadura musical das mais férteis. Mas foi só o começo. Sua mãe, a cantora mineira Stella Maris, costumava niná-la cantando as mais lindas músicas do cancioneiro brasileiro. A menina era exigente. "Uma vez, precisei deixá-la com uma amiga pra fazer algo qualquer na casa. Ela então começou a cantarolar pra Nana uma canção que eu costumava cantar, mas muito desafinado. Nana desandou a chorar. Não sossegou enquanto eu não cantei pra ela" - revela Stella, repetindo uma história que passou pros anais da família. Aos dois anos, já era capaz de repetir a difícil melodia de "Valsa das Flores", final do balé Quebra-Nozes de Tchaicovsky, que escutava no rádio (tema de uma rádio-novela), chamando a atenção de seus pais. Aos quatro, freqüentava as aulas de piano com Aida Gnattali, que notou sua forte musicalidade. Com sete, Nana já tinha composto "O Céu é Azul", "Vaga-lume Voou" e "Dorme Neguinho" - esta última dedicada ao seu irmão recém-nascido, Danilo -, canções que desapareceram com a infância. Mas sua verdadeira paixão era cantar. Seu canto foi lapidado através dos anos. A convivência dentro e fora de casa com o que havia de melhor na Música Popular Brasileira foi despertando sua sensibilidade. Silvio Caldas, Braguinha, Ari Barroso, Araci de Almeida, Haroldo Barbosa, Antônio Maria, Fernando Lobo, Tom Jobim, Vinícius de Moraes - para citar alguns cantores e compositores - faziam parte do dia-a-dia da menina e da adolescente, gestando a futura cantora e estabelecendo um altíssimo padrão de qualidade. A adolescência de Nana foi vivida nos anos dourados do samba-canção, do bolero (o gênero foi uma febre no Brasil dos anos 50) e da bossa-nova. na sua festa de quinze anos em que se comemorou também o aniversário do pai (Nana é de 29 e Dorival é de 30 de abril), esbarrava-se no cantor João Gilberto - ainda desconhecido -, no produtor Aloysio de Oliveira, nas cantoras Lenita Bruno e Silvinha Telles, no maestro Leo Perachi, entre os inúmeros amigos da família. Nana nem precisou se preocupar em buscar um músico que a acompanhasse. Seu irmão Dori - um talentoso e aplicado estudante de música desde menino - adorava acompanhá-la ao violão. Nas reuniões familiares, ensaiaram suas primeiras apresentações. No entanto, apesar de Stella e Dorival apoiarem os pendores artísticos dos filhos (Danilo já estudava flauta nesta época), não levavam muito a sério o desejo deles de seguir carreira. Foi preciso um empurrão do destino. Em 1960, Caymmi estava em estúdio regravando "Acalanto" e "Rosa Morena" num disco de 78 rpm, estava tudo combinado para Stella gravar a canção de ninar com o marido, mas ela desistiu na última hora. Como "santo de casa não faz milagre" foi Aloysio de Oliveira, diretor artístico da Odeon, quem se lembrou de Nana para substituir a mãe. O produtor tinha faro e havia notado o talento da filha de Dorival. A jovem iniciante, com apenas 18 anos, enfrentou estúdio, orquestra e jornalistas feito gente grande. Pra complicar, a imprensa insistia em considerá-la baiana, mas a cantora se apressava em afirmar sua carioquice, sem negar as suas raízes baianas e mineiras. Em 26 de abril, Nana já estava contratada pela TV Tupi, participando do programa Sucessos Musicais, produzido por Fernando Confalonieri. Pouco tempo depois, a cantora - sempre acompanhada pelo irmão Dori - já tinha o seu próprio programa na emissora: A Canção de Nana, produzido por Eduardo Sidney, que ía ao ar toda quarta-feira, às 20 horas. O maestro Gaia previu para ela uma carreira brilhante. Nem em seus sonhos, Nana havia imaginado que as coisas pudessem acontecer de maneira tão rápida. Mas nem tudo acontece em linha reta. Nesta época, casamento e carreira ainda eram considerados incompatíveis na maior parte dos casos. Nana, que já namorava Gilberto José Aponte Paoli, um venezuelano que estudava medicina no Brasil, não foi diferente das moças de sua idade e optou pelo casamento. Só que no caso, esta opção significava mais que uma mudança no estado civil. Significava mudar para outro país, com outra cultura e outra língua. Em dezembro de 1961, Nana se casou e, em janeiro do ano seguinte, já estava vivendo com o marido na Venezuela. Voltou várias vezes ao Brasil e numa delas, em 1965, foi convidada por Aloysio de Oliveira a gravar seu primeiro LP. Numa tentativa de se libertar do peso do sobrenome do pai, a cantora deu ao seu disco o nome de Nana, sem o Caymmi. Antes disso, porém, de férias com as filhas Stella e Denise no Brasil, em 1964, participou do disco que se tornaria um clássico: "Caymmi visita Tom e leva seus filhos Nana, Dori e Danilo". O disco foi lançado pela Elenco, gravadora que pertencia a Aloysio de Oliveira, idealizador do projeto. A cantora gravou no LP "Inútil Paisagem" (Tom Jobim e Aloysio de Oliveira), "Tristeza de Nós Dois" (Durval Ferreira, Bebeto e Maurício Einhorn) e "Sem Você" (Tom Jobim e Vinícius de Moraes) e regressou à Venezuela. A cantora se separou do marido e retornou ao Brasil definitivamente em Dezembro de 1965, com suas duas filhas, Stella e Denise, e grávida do terceiro filho, decidida a retomar a carreira de cantora para valer. Em junho do ano seguinte, deu à luz João Gilberto, e, logo depois, participou do I FIC (Festival Internacional da Canção) com "Saveiros", de seu irmão Dori e Nelson Motta, com arranjo do maestro Gaya. Ganhou o primeiro prêmio, levando o "galo de ouro" para casa. Para se ter uma idéia da importância do prêmio, Nana concorria com "Canto Triste" (Vinícius de Moraes e Edu Lobo), defendida por Elis Regina, e "Dia das Rosas" (Luiz Bonfá e Maria Helena Toledo), interpretada por Maysa. Naquele palco estavam ainda concorrendo MPB 4, Tuca e Geraldo Vandré, Quarteto em Cy, Miltinho, Claudette Soares e Taiguara, entre outros. Não era mole não. Mas, enquanto cantava a canção vitoriosa, enfrentou no maracanãzinho - com 25 mil pessoas ensandecidas pelo clima de competição que os festivais provocavam na época - uma das vaias mais massacrantes da história da MPB. Com três filhos para sustentar, ela não podia se dar ao luxo de desanimar - e desânimo é uma palavra fora do seu dicionário. Decidiu, no entanto, que o ano de 1966, com vaia e tudo, seria o marco inicial de sua carreira. Seguiu em frente. A partir do Festival, Nana foi contratada pela TV Excelsior para se apresentar no programa Ensaio Geral, ao lado de Gilberto Gil, Caetano Veloso, Tuca, Maria Bethânia, Samba Trio, entre outros. Defendeu no III Festival de Música Brasileira, da TV Record, "Bom Dia", uma parceria sua com Gilberto Gil - com quem estava casada - sem, no entanto, levar nenhum prêmio. No final dos anos 60, já separada de Gil, Nana se apresenta em boates e teatros do eixo Rio-São Paulo, enfrentando as dificuldades comuns a uma iniciante na carreira. Sem gravadora, sofria o estigma de ser uma cantora de elite, devido ao repertório - de que não abria mão, apesar das pressões que sofria para mudar de estilo - considerado sofisticado e às vaias de Saveiros no I FIC. As novelas e humorísticos substituíram os programas de música na televisão, diminuindo ainda mais o mercado de trabalho. Sua participação em shows para angariar fundos para presos políticos e suas famílias lhe renderam problemas com o DOPS, assim como a participação na histórica Passeata dos Cem Mil contra a ditadura, na linha de frente, ao lado de Gil e Caetano, entre outros. As dificuldades de trabalho no Brasil eram tantas, que aceitou o convite do irmão Dori para cantar na Argentina e no Uruguai. A partir de 1970, e nos cinco anos seguintes, Nana Caymmi passou a fazer duas longas temporadas anuais na Argentina. Devido a sua longa estada na Venezuela, falava - e cantava - o espanhol com facilidade. Além do irmão, se apresentava também com a Camerata, um prestigiado conjunto argentino, cujo líder era o compositor e cantor Juan Manuel Serrat. Foi um período de exílio profissional. Não é exagero dizer que era mais conhecida naquele país do que no Brasil. Muitos chegavam a pensar que Nana vivia em Buenos Aires. Mas ela seguia se apresentando no Brasil, sem chamar a atenção do mercado discográfico. Por outro lado, o público portenho a prestigiava e a mídia a cobria de elogios. Naquele país, ela se afirmava e se fortalecia como cantora, independente do sobrenome, que, se não era ignorado pelos argentinos, não vinha com a mesma carga de exigências que sofria no Brasil. Foi na Argentina que Nana Caymmi voltou aos estúdios. Em 1974, lançou um Long Play pela gravadora Trova, em que cantava "Atrás da Porta" (Francis Hime e Chico Buarque), "Razão de Viver" (Eumir Deodato e Paulo Sérgio Valle), "Derradeira Primavera" (Tom e Vinícius), além de várias canções de Caymmi. Vendeu mais de vinte mil cópias, o que na época era um número bastante expressivo. Ironia das ironias: o disco chegou ao Brasil, num clima quase clandestino, trazido por amigos como Milton Nascimento e o pianista Tenório Júnior. Assim o disco foi parar nas mãos de Simon Khoury, da Rádio JB, que começou a divulgar o trabalho da artista. Chamou logo a atenção. Foi uma vergonha, pois o disco não constava de nenhum catálogo de gravadora brasileira. "Ele (Khoury) fez com que as pessoas soubessem que eu estava cantando, que estava viva" - recorda a cantora. Naquele mesmo ano, o compositor Durval Ferreira saiu na frente e levou-a para a CID (Companhia Industrial de Discos), onde também estava Fernando Lobo. Foi quando a cantora lançou, após um intervalo de doze anos, seu segundo LP no Brasil. E pensar que poderíamos tê-la perdido para a Argentina. No ano seguinte, Nana Caymmi recebia o Troféu Villa-Lobos, da Associação Brasileira de Produtores de Discos, como a melhor cantora de 1975. Isso sem mencionar as excelentes críticas ao disco - produzido na raça por uma Nana, que ia atrás dos compositores de gravador em punho -, que contou com as participações de Tom Jobim, Milton Nascimento e Ivan Lins, além de um repertório impecável, que incluía "Beijo Partido" (Toninho Horta), um de seus maiores sucessos - presente na trilha musical de Pecado Capital, novela da TV Globo do ano seguinte. A sorte estava lançada. A partir daí, Nana não mais parou de gravar, sempre com um repertório irrepreensível e músicos talentosíssimos. Pela CID, lançou Renascer - em geral, prefere não dar títulos a seus discos -, em 1976. Nele, gravara "Cais", música que Milton Nascimento e Ronaldo Bastos haviam composto, nos anos 60, especialmente para ela (e que faria parte da trilha de outra novela da Globo, em 1978, Sinal de Alerta). Um ano depois, lançava seu novo disco pela RCA-Victor, para onde havia se transferido Durval Ferreira. Para este novo trabalho, a cantora ganhou um belo presente: contou com a participação especialíssima do pai Dorival na faixa "Milagre", uma inédita canção praieira de sua autoria. Em 1978, não resistiu ao convite do produtor Mariozinho Rocha para regressar à EMI-Odeon, onde gravara pela primeira vez, dezoito anos antes. Na EMI, onde permaneceu até 2000 - exceto por um breve período em que gravou pela Sony Music, no início dos anos 90 -, Nana gravou 16 discos, além de dez coletâneas. Entre eles estão: Nana Caymmi (1979), Mudança dos Ventos (1980), E a Gente Nem Deu Nome (1981), Voz e Suor - Nana Caymmi e César Camargo Mariano (1983), Chora Brasileira (1985), Nana (1988), Só Louco - Nana Caymmi e Wagner Tiso (Montreux/1989), Bolero (1993), A Noite do Meu Bem - As Canções de Dolores Duran (1994), Alma Serena (1996), No Coração do Rio (1997), Resposta ao Tempo (1998). Sem mencionar as cinco reedições e inúmeras coletâneas da cantora que foram lançadas no mercado por outras gravadoras, tais como CID, RCA, Sony, ao longo de sua carreira. Somam-se a isso incontáveis participações especiais em discos de outros intérpretes e compositores, em trilhas de novela e cinema, além de projetos musicais. Tais participações, sem sombra de dúvida, dobrariam a sua discografia. A luta continuava. Em 1977, Nana Caymmi e Ivan Lins formaram a primeira dupla de artistas escolhidos para abrir o Projeto Pixinguinha (Funarte/MINC), um dos mais importantes trabalhos feitos pela democratização da MPB no território nacional, idealizado por Hermínio Bello de Carvalho. Nos moldes do Seis e Meia do Teatro João Caetano, no Rio, criado por Albino Pinheiro, que Nana e Ivan já tinham feito com sucesso - no último dia do show da dupla, mil e quinhentas pessoas ficaram sem ingresso -, o Pixinguinha levou o melhor da nossa música para as principais cidades brasileiras a um preço e horário acessíveis ao trabalhador. Em 1978, Nana voltou ao projeto em dupla com seu irmão Dori Caymmi. A imprensa chegou a chamá-la de Rainha do Seis e Meia. "Eu gosto principalmente porque significa a desmistificação do artista" - afirmou Nana em entrevista, falando sobre os projetos Pixinguinha e Seis e Meia. No final do verão de 79, Nana e Edu Lobo dividiram o palco do Hotel Nacional, num espetáculo considerado um dos mais importantes do ano. Devido ao sucesso, voltaram a apresentá-lo, naquele mesmo ano, no Canecão - cujo palco Nana pisava pela primeira vez - e seguiram em tournê pelo país, acompanhados do Boca Livre, conjunto que estava começando uma carreira de sucesso. Nana Caymmi abriu o Projeto Pixinguinha de 1980 em dupla com Boca Livre, lotando os teatros por onde passavam. O seu romance com o cantor e compositor Claudio Nucci - originalmente vocalista do Boca Livre, mas que seguiria a partir daquele mesmo ano em carreira solo - serviu de inspiração para que Ivan Lins e Vitor Martins compusessem para ela "Mudança dos Ventos", um sucesso na sua voz. Neste mesmo ano, ocupou as segundas - feiras do Teatro Villa Lobos (numa das raras oportunidades em que o espaço foi dedicado à música, apesar do nome), com o espetáculo Nana Caymmi e Seus Amigos Muito Especiais, numa longa temporada, quando recebeu no palco artistas como Isaurinha Garcia, Fátima Guedes, Agnaldo Timóteo, Rosinha de Valença, Claudio Nucci, Zé Luis, Sueli Costa, Martinho da Vila, Zezé Motta, Macalé, entre outros. Paralelamente à sua carreira solo, Nana se reunia sempre que podia aos irmãos para diversos shows pelo país. Sempre teve enorme afinidade musical com Dori e Danilo, gravando em quase todos os seus discos composições dos dois, além de poder contar sempre com o primeiro nos arranjos e na produção dos seus discos e com o caçula na flauta. Seu show na Sala Funarte, no Rio de Janeiro, em 1981, foi apontado pelo Jornal do Brasil entre os dez melhores do ano. Seu público não parava de crescer - e era fiel. A crítica respeitava a cantora cada vez mais, sobretudo pela coerência na condução de sua carreira, que jamais se curvou às exigencias de mercado ou modismos efêmeros. Se, por um lado, não era um estouro de vendas, por outro jamais saía do catálogo, sempre vendendo bem seus antigos álbuns e compilações. Em 1982, viajou para Portugal onde fez show no Algarve. No ano seguinte, apresentou-se com Edson Frederico no piano-bar cenográfico da novela Champagne, da TV Globo. Cantou "Doce Presença" (Ivan Lins e Vitor Martins), que fazia parte da trilha musical da novela. Assim como o pai, Nana gostava de se apresentar em casas noturnas. "Me chamavam de cometa, porque depois que eu passava por uma boate, as outras estrelas da canção popular se dispunham a se apresentar nelas também" - explica a cantora. Nana Caymmi é sinônmo de prestígio até hoje. Lançou com o pianista César Camargo Mariano o disco Voz e Suor, considerado "cult" pelos críticos, inclusive na França. A intérprete - como prefere ser chamada, aliás - retornou à Europa, em 1984, para participar do Festival de Nice, na França, junto a Dorival Caymmi e Gilberto Gil, entre outros. No ano seguinte, sua voz podia ser ouvida todas as noites na minissérie da TV Globo Tenda dos Milagres, baseada no romance homônimo de Jorge Amado, cantando "Flor da Bahia" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro). Popular, sem ser vulgar. Era o caminho escolhido por Nana. Jamais gravou uma música sequer no intuito de ser aproveitada numa novela, sonho de toda gravadora. Ainda assim, ao longo de toda a sua carreira, teve 51 canções ( o equivalente a quatro discos!! ) em trilhas de novela - nem a própria cantora havia se dado conta do número espantoso. Quem disse mesmo que ela era uma cantora de elite? A propósito, em 1986, voltou a embalar a telinha, com "Fruta Mulher" (Vevé Calazans), em Roque Santeiro, uma das maiores audiências de telenovela da Globo. Sempre disposta a inovações aceitou, neste mesmo período, o convite de Wagner Tiso para cantar obras de Villa-Lobos - se atrevendo a interpretar sem o rigor técnico das cantoras líricas - no projeto do músico dedicado ao grande maestro. Acompanhados pelo grupo Uakti, Nana e Wagner percorreram várias capitais brasileiras com o incomum recital. No ano de 1987, Nana se apresentou com sua banda - Novelli (baixo), Gulherme Vergueiro (piano), Danilo Caymmi (flauta), Claudio Guimarães (guitarra) e Ricardo Costa (bateria) - pela primeira vez em Madri. Retornou a Espanha, dois anos depois, com Wagner Tiso, para uma turnê por várias cidades do país e, em seguida, se apresentaram, no festival de Jazz de Montreux, na Suiça, acompanhados pelos músicos de Paco de Lucia. O resultado pode ser conferido no disco ao vivo, também pela EMI, Só Louco - Nana Caymmi e Wagner Tiso, produzido por Mazzola. Mais dois anos se passaram e, em 1991, a cantora voltou a pisar no famoso palco de Montreux, desta vez com Dorival, Dori e Danilo Caymmi, na vigésima quinta edição do Festival Internacional de Jazz. O encontro virou outro disco ao vivo (EMI), que não contou com a participação de Dori (só atuou como músico), impedido de cantar pela sua gravadora americana. Meses antes, porém, da apresentação em Montreux, a família Caymmi - desfalcada de Dori, radicado nos EUA - se apresentou no Rio Show Festival, num espetáculo histórico, que reuniu no mesmo palco, dois monstros sagrados da MPB, Dorival Caymmi e Tom Jobim. Foi este show que motivou o convite do produtor Mazzola para a apresentação de Dorival, Nana e Danilo na noite brasileira do Festival de Montreux. Em 1992, a cantora lançou o LP "O Melhor da Música Brasileira", na série "Academia Brasileira de Música", pela Sony, quando passeia pelo melhor do samba-canção brasileiro. No ano seguinte, gravou o CD "Bolero", produzido por Raymundo Bittencourt, regressando à EMI. A princípio resistiu muito em fazer este trabalho. Mas foi com "Bolero" que ela quase emplacou seu primeiro disco de ouro, chegando bem perto. Na esteira do sucesso de "Bolero", Nana Caymmi - que costumava lançar seus discos em badaladas casas noturnas mas de público restrito -, lançou em 1994, "A Noite do Meu Bem - As Canções de Dolores Duran", CD produzido por José Milton, no Canecão, no Rio de Janeiro, um dos templos da Música Popular Brasileira O show contou com Denise Caymmi, sua filha e empresária, à frente da produção. Sucesso de público e de crítica, a cantora finalmente alcançava um reconhecimento à altura de seu real valor. Repetiu o show e o sucesso no Palace, em São Paulo, e seguiu em turnê pelo país. Entre estes dois últimos CDs, Nana Caymmi fez duas importantes viagens ao exterior. Em janeiro de 1993, a cantora retornou a Portugal, quando se apresentou nos teatros São Luiz (Lisboa) e Coliseu (Porto) ao lado do pai Dorival e do irmão Danilo. O espetáculo, prestigiado pelo presidente Mário Soares, foi considerado histórico pela imprensa portuguesa. Em julho, a cantora viajou, acompanhada pela sua banda - Luizão Paiva (piano), Danilo Caymmi (flauta), Luiz Alves (baixo), Ricardo Costa (bateria), Claudio Guimarães (violão e guitarra) - para Nova York. A temporada no Blue Note, uma das mais importantes casas de jazz americanas, teve lotação esgotada ( de americanos! ) todas as noites para as duas sessões de show, que Danilo Caymmi abria. Nana Caymmi transformou o seu show de lançamento de "Alma Serena" (EMI), no Canecão, em 1996, num verdadeiro recital, levando a platéia ao êxtase, nas duas semanas da temporada carioca. Em 1997, escolheu o palco do Teatro Rival, em pleno centro do Rio de Janeiro, para gravar seu primeiro disco solo ao vivo, acompanhada unicamente pelo piano do maestro Cristovão Bastos - seu arranjador e diretor artístico desde 1994 - e o violão de João Lira. A gravação do CD "No Coração do Rio" - um segredo mantido a sete chaves por sua equipe, capitaneada por Zé Milton e Denise Caymmi - pegou de surpresa os jornalistas e o público presentes ao show, que escutou a cantora desfiar pérolas do nosso cancioneiro popular. Mas nada pode se comparar a 1998, o ano de "Resposta ao Tempo". A bela e envolvente canção de Cristovão Bastos e Aldir Blanc, na voz de Nana Caymmi, foi escolhida para tema de abertura da minissérie Hilda Furacão, um mega-sucesso da TV Globo. Os amigos (com a colaboração da TV Globo) conseguiram manter em segredo até o fim, e a cantora mal pode acreditar quando ouviu os primeiros acordes da canção na tela da sua TV. A repercussão foi enorme. Não havia quem não cantasse "Resposta ao Tempo". A música levou a cantora direto para os primeiros lugares das paradas de sucesso das rádios AM - um sinal de evidente consagração popular -, onde foi uma das mais executadas do ano. Em 1999, "Resposta ao Tempo" deu a Nana o disco de ouro tão esperado. Mas não parou por aí. Foi eleita a melhor cantora brasileira pela Associação Paulista de Críticos de Arte. O CD ainda levou quatro prêmios Sharp: melhor cantora do ano, melhor canção ("Resposta ao Tempo"), melhor recriação ("Não se esqueça de mim", de Roberto e Erasmo Carlos), melhor arranjo (Cristovão Bastos). Em 1999, a cantora gravou "Sangre de Mi Alma", ainda na EMI, dando novas e sofisticadas interpretações a clássicos do bolero. O ano de 1998 foi de intensa pesquisa para este novo disco - envolvendo desde Zé Milton, seu produtor, até parentes da Venezuela, passando pela discografia e bibliografia do gênero - para oferecer ao seu público uma requintada seleção de boleros, com arranjos primorosos de Cristovão Bastos e Dori Caymmi, indicado para o Grammy daquele ano na categoria melhor arranjo, para culminar, o lançamento aconteceu no ATL Hall, no Rio, e no Credicard Hall, em São Paulo, onde a cantora fez um show com grande orquestra. Em janeiro de 2000, Nana sentiu necessidade de mudanças. Numa separação amigável, deixou a gravadora EMI e foi de armas e bagagens para a Universal. No novo selo, a cantora lançou Desejo, seu primeiro CD com inéditas desde 1998. Neste disco, ela gravou Ivan Lins, Marcos Valle, Fátima Guedes, Sueli Costa, Dori e Danilo Caymmi, além de lançar dois novos compositores, sua sobrinha Juliana Caymmi - a marcha "Seus Olhos" contou com a participação da sobrinha Alice - e Kiko Furtado. Presenteou ainda seus fãs com a participação de Zeca Pagodinho, imperdível na faixa "Vou Ver Juliana", samba do mestre Dorival, a única regravação do CD. Viajou em turnê pelo país divulgando Desejo, que emplacou duas canções em novelas da Globo, "Saudade de Amar" (Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro/Porto dos Milagres) e "Tarde Triste" (Maysa/O Clone). Gravou a música de abertura de Lara, filme de Ana Maria Magalhães, composta por Dori Caymmi e Chico Buarque. Em seu próximo trabalho, Nana pretende gravar um CD dedicado exclusivamente ao repertório de Dorival Caymmi, uma homenagem muito especial a seu pai que completa 88 anos. Quando não está trabalhando, Nana curte a família, suas plantas e bordados, e escuta óperas e a a nata da MPB. Afinal, para a intérprete, bom gosto é vício Stella Caymmi jornalista e escritora abril de 2002. xxxxxxxxxxxxxxxxxxx

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