Qual é a música mais triste de todos os tempos?

Qual é a música mais triste de todos os tempos

Antes de dar a minha resposta (trapaceei e listei não uma, mas cinco trilhas para cortar os pulsos), quero escrever um pouco a respeito de uma canção que caiu no folclore devido à sua letra, digamos, singela: “Coração de Luto“, de Victor Mateus Teixeira, popularmente conhecido como Teixeirinha. Não que a considere a mais triste de todos os tempos, mas a história de sua criação certamente é uma das mais trágicas.

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Teixeirinha, nascido no interior do Rio Grande do Sul em 3 de março de 1927, teve uma infância pobre, perdeu o pai, que trabalhava como carreteiro, aos 6 anos de idade e sofreria nova tragédia pessoal apenas três anos mais tarde.

Sua mãe possuía o costume de queimar o lixo da casa nos fundos do seu quintal. Entretanto, devido a uma crise epilética sofrida enquanto a fogueira ainda crepitava, dona Ledurina perdeu o controle das chamas.
E foi assim que, com apenas 9 anos, o menino Victor perdeu sua mãe vitimada por um incêndio.

Órfão, fez de tudo um pouco para sobreviver: trabalhou em granjas, vendeu doces e jornais, carregou malas em portas de pensões, dormiu noites e noites debaixo de viadutos nas ruas de Porto Alegre.

Nosso herói, após assimilar tantos socos dados pela vida, aprendeu a tocar violão sozinho e foi tentar a carreira artística. Apresentou-se em circos, churrascarias, emissoras de rádio no interior dos pampas. Em 1959, finalmente gravou seu primeiro disco, mas o sucesso só viria a partir do quarto álbum. “Coração de Luto“, composição inspirada na morte de dona Ledurina, era apenas uma das faixas do lado B.

Porém, na base do boca-a-boca, começou a ser veiculada por rádios do interior de SP, e de lá acabou por contagiar todo o Brasil, tornando-se o maior sucesso do ano de 1961 com a impressionante cifra de mais de 1 milhão de discos vendidos.

Não parou por aí: “Coração de Luto” foi regravada em 21 idiomas, e seu sucesso gerou até um filme homônimo, o primeiro de uma série de longas-metragens que Teixeirinha viria a produzir inspirado pelas histórias de suas canções (repetindo os passos de outro astro da canção popular brasileira, Vicente Celestino).

Quem já ouviu a canção não esquece da trágica e sentimental narrativa de sua letra, a começar pelos versos iniciais:

O maior golpe do mundo
Que eu tive na minha vida
Foi quando com nove anos
Perdi minha mãe querida
Morreu queimada no fogo
Morte triste dolorida
Que fez a minha mãezinha
Dar o adeus da despedida

Brasileiro é um povo emotivo, mas também é deveras sacana. E não tardou muito para que o sucesso de Teixeirinha ganhasse a infame alcunha de “Churrasquinho de Mãe“.

Reza a lenda, aliás, que certa apresentadora de TV, ao entrevistar o músico gaúcho, mal-assessorada por sua produção cometeu a infeliz pergunta:

“Que história é essa de churrasquinho?“

Acometido por um violento ataque de choro, Teixeirinha mal conseguiu balbuciar a explicação para a piada de duvidoso gosto, enquanto a tal entrevistadora encolhia-se em sua poltrona. Desconheço a veracidade dessa gafe, assim como os rumores de que a versão em inglês desta canção é conhecida como “Barbecue of Mother” (ah, a humanidade).

Teixeirinha morreu em 4 de dezembro de 1985, deixando nove filhos e mais de 700 músicas gravadas.

Antes que eu me esqueça, eis a minha lista de Cinco Músicas para Embalar Tardes Depressivas. Ah sim: não se esqueça de aproveitar o espaço dos comentários para deixar a sua opinião sobre qual seria a canção mais triste de todos os tempos.

I’m A Fool To Want You (Billie Holiday)
True Love Waits (Radiohead)
Vento no Litoral (Legião Urbana)
Way to Blue (Nick Drake)
Little Girl Blue (Janis Joplin)

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