Martinho Lutero está no purgatório?

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PERGUNTA
Nome: Dina Tereza Alves Macena
Enviada em: 18/10/2007
Local: Valparaiso de Goiás – GO, Brasil
Religião: Católica
Escolaridade: Pós-graduação concluída
Profissão: Policial Civil

Sempre aprendi que quem e ex-comungado da Santa Igreja, nao tem salvacao.
Ate onde vai meu limitado conhecimento,pois so recente eu tenho buscado algum conhecimento,verdadeiro.Sou licenciada em Historia e hj sei a quantidade de heresias que aprendi na universidade.Apesar de que eu nunca fui uma estudante brilhante.Muito pelo contrario,sempre fiz o suficiente para terminar o curso,pois trabalhava muito, e hj dou gracas a Deus nao ter lido tudo o que os professores recomendavam, do contrario creio que hj eu seria uma apostata.

Bem minha duvida e a seguinte: pelo que eu sei Lutero foi ex-comungado da Igreja. Recentemente tenho ouvido pessoas de dentro da Igreja, de que eu nao tenho motivos para desconfiar de suas informacoes, que Martinho Lutero esta no Purgatorio ate o final dos tempos, por conta da sua devocao a Maria Santissima. Outros ainda dizem que a ex-comunhao e um ato do papa, mas que a misericordia divina e quem da a ultima palavra. Porem se quem esta desligado na terra esta desligado no Ceu,isso para mim fica um tanto confuso e nao tenho a quem recorrer para que eu possa ter uma resposta ate para eu propria.
Aguardo resposta e parabenizo pelo site.

RESPOSTA
Prezada Dina,
Salve Maria,
     Não se espante com esse tipo de afirmação absurda: se os padres modernos aposentaram o demônio e fecharam o inferno para balanço, como é que alguém – mesmo sendo um inimigo de Deus como foi Lutero – poderia perder sua alma?
     É evidente que a conseqüência dessa posição doutrinária absurda, que nega a existência do demônio e confunde a misericórdia de Deus com a falta de punição irá propor as mais diversas soluções para livrar do inferno os homens maus. Pela Internet correm os mais descabidos relatos de supostas conversões de última hora, conversões essas dos mais terríveis homens que viveram sobre a terra, e que na hora da morte teriam se arrependido.
     Ainda que Deus possa salvar muitas almas na hora da morte, é temerário achar que todos se salvam nessa hora, e que o inferno estaria vazio. Isso contraria a justiça divina e a evidência de que um homem que praticou o mal durante toda a vida, que nunca se dispôs a corresponder à graça divina, possa mudar facilmente na velhice, na hora da morte.
     A senhora está certíssima: o que o Papa ligou ou desligou na terra, ele ligou ou desligou no céu. Assim, quem está excomungado não pode ir para o céu. Para que Lutero pudesse ser perdoado, era preciso que manifestasse sua vontade ao Papa, rejeitando seus erros passados e pedindo perdão a Deus e à Igreja. Com isso certamente seria levantada sua excomunhão, pois Deus perdoa quaisquer pecados, até os de um Lutero.
     Mas não foi isso o que ocorreu: consta que Lutero morreu convicto em seus erros, miseravelmente, conforme testemunharam seus discípulos mais próximos, como Justus Jonas.

     Isso significa que podemos dizer com certeza que ele foi para o inferno? Não. Pois de fato é Deus quem conhece o interior do homem, e se nos últimos segundos de vida Lutero manifestou a vontade de se arrepender, de pedir perdão ao Papa, Deus leva isso em conta. Porém, pelos dados históricos que temos, não há o menor indício de que isso tenha ocorrido.
     E invocar uma suposta devoção de Lutero a Maria Santíssima é uma piada de mau gosto: Lutero foi o autor da maior fraude na Escritura contra Nossa Senhora, mudando o título de Maria – kekaritomene, ou seja, “cheia de graça” – para um genérico “abençoada“. Com essa mudança em sua tradução alemã ele negou a Imaculada Conceição, ou seja, que Maria foi preservada do pecado original, como atesta esse título bíblico, confirmado pelo beato Papa Pio IX.

     Portanto, Lutero não tinha devoção coisa nenhuma a Nossa Senhora, mas, bem ao contrário, negou a Maria Santíssima sua qualidade mais importante, sua completa ausência de malícia, preservada por Deus para ser Mãe de Cristo.

     Esperando ter esclarecido suas dúvidas, nos despedimos atenciosamente,

In Jesu et Maria
Marcos Liborio

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3 comentários em “Martinho Lutero está no purgatório?”

  1. Salve Maria,

    Uma dúvida. Sabemos que na história algumas excomunhões ocorreram única e exclusivamente por interesses políticos. Mesmo assim a pessoa estaria no inferno? Galileu e Nicolau foram ameaçados de excomunhão caso não negassem a teoria do heliocentrismo. Se eles não negassem, fossem excomungados, e mesmo a Igreja e O Papa estando errados, eles estariam no inferno? Porque não teria motivo para eles se arrependerem e pedirem perdão ao Papa, certo?

  2. Prezado Rafael, Salve Maria!

    A palavra excomunhão significa literalmente colocar alguém fora da comunhão. Ou seja, uma pessoa excomungada se torna uma pessoa anátema (amaldiçoada). Essa pessoa já não pode se aproximar da Santa Eucaristia.

    Lemos no Evangelho de São Mateus cap. 16,19 as palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo a São Pedro (1º Papa): "Eu te darei as chaves do Reino dos Céus e o que ligares na terra será ligado nos céus, e o que desligares na terra será desligado nos céus”. E no mesmo evangelho 18,17: “Caso não lhes der ouvido, dizei-o à Igreja. Se nem mesmo à Igreja der ouvido, trata-o como gentio ou o publicano”.
    Gentios e Publicanos eram pessoas “impuras” , com as quais judeus piedosos não podiam ter relações (cf. Mt 5,46 e Mt 9,10), leia também 1Cor 5,11.
    Sabe o que acontece com essas pessoas? Jesus disse: “Ele o partirá ao meio e lhe designará seu lugar entre os hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes” (S. Mateus 24,51).
    Se você quiser saber mais sobre um anátema leia os seguintes capítulos da Bíblia: Js 6,17; Lv 27,28; 1Sm 15,9; 1Cor 16,22. Não deixe também de ler no Catecismo da Igreja Católica (CIC), no §1463: “Alguns pecados particularmente graves são passíveis de excomunhão, a pena eclesiástica mais severa, que impede a recepção dos sacramentos e o exercício de certos atos eclesiais. Neste caso, a absolvição não pode ser dada, segundo o direito da Igreja, a não ser pelo Papa, pelo Bispo local ou por presbíteros autorizados por eles. Em caso de perigo de morte, qualquer sacerdote, mesmo privado da faculdade de ouvir confissões, pode absolver de qualquer pecado e de qualquer excomunhão”.
    Se você não tem um catecismo compre um, pois todo católico é chamado a conhecer a sua religião.
    A Igreja Católica Apostólica Romana jamais disse que uma pessoa está no inferno, pois só Deus conhece os corações dos homens. Agora, o que a Igreja liga aqui na terra, é ligada também no Céu. Não existe meio termo! E no caso de Martinho Lutero não existiu erro por parte do Papa, pois o Papa em comunhão com o Sagrado Magistério, quando delibera e define (clarifica) solenemente algo em matéria de fé ou moral (os costumes), ex cathedra, está sempre correto. Isto porque acredita-se que, na clarificação solene e definitiva destas matérias, o Papa goza de assistência sobrenatural do Espírito Santo, que o preserva de todo o erro.
    O uso da infalibilidade é restrito somente às questões e verdades relativas à fé e à moral (costumes), que são divinamente reveladas ou que estão em íntima conexão com a Revelação divina.
    Se o Papa tivesse realmente excomungado Nicolau Copérnico e Galileu Galilei, eles de fato estariam excomungados, pois um Papa na sua infalibilidade não erra. Tome cuidado com as “coisas” que você ouve nas escolas e universidades, porque lá está cheio dos inimigos da Igreja.

    Longe de mim querer ser a palavra oficial da Igreja, pois sou apenas um leigo como você, mas espero ter te dado uma pequena luz. Procure ler mais o Catecismo da Igreja Católica e a Bíblia. Desde já agradeço a sua pergunta, que Deus te abençoe,

    Cristão Católico

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